Como fazer sem conhecer o mundo real? (a propósito de inteligência competitiva)

Por Alberto Vieira da Silva

Não são raras as pessoas que me perguntam para que serve a Inteligência Competitiva. Em meu entendimento, ela serve para os decisores terem uma noção do mundo real que envolve a empresa, permitindo obter uma visão mais nítida da realidade externa e, por comparação, da sua realidade interna. Como se pode deduzir, trata-se de uma ferramenta importante para a gestão estratégica da organização.

Na prática da gestão, por vezes, vive-se mais o mundo ideal do que o mundo real. Discursa-se sonhando, sonha-se em torno do discurso: é preciso isto, é necessário aquilo, vamos fazer isto e aquilo, mas… o tempo passa, e o que é sonhado e discursado não acontece. E por que não acontece?

O mundo ideal é algo assim como “o que eu quero fazer” ou “o que eu quero que a minha empresa seja”. São situações idealizadas, mas não concretizadas. O mundo real é o que eu sou na verdade, e o que acontece lá fora que me toca diretamente, e que se interpõe ou favorece o que eu quero concretizar para a organização. Ora, entre o querer e o obter existe um percurso que muitas vezes é esquecido: o “como fazer?”.

Para obter resultados reais sobre o que é idealizado, há que haver um equilíbrio dinâmico entre essas três perspectivas: o que é idealizado para acontecer, a realidade interna da organização, e a realidade do entorno: os competidores e seus produtos, serviços e estratégias, o mercado em geral, a conjuntura econômica, as mudanças tecnológicas, e muitos outros fatores que devem ser ponderados. No meio de tudo isso encontra-se ainda e sempre: o “como fazer”.

É aqui que alguns gestores entrariam logo com a solução milagrosa: o planejamento estratégico. Nem tanto assim: o melhor planejamento não ajuda, se os decisores não souberem qual é o caminho, a solução ou soluções para  chegar num certo ponto ou para resolver um dado problema. O planejamento apenas serve para estruturar, organizar o itinerário lógico para chegar no ponto idealizado. Porém, para engendrar essa solução ou “ponto certo de chegada” é necessário ter “insight”, ou uma visão estratégica do problema.

Assim, permitindo à organização ter uma noção realista do entorno, dos competidores no mercado, das ameaças e das oportunidades, a informação obtida e processada pela Inteligência Competitiva permite obter uma percepção do estado real da organização, de suas potencialidades, de sua competitividade, e responder a uma grande parte das questões colocadas pelas interrogações que talvez melhor definem a gestão estratégica: “- O que eu quero ser? O que eu quero alcançar? Onde eu quero chegar”. E certamente, logo depois: “- Como fazer?”.

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