Futuro imediato: todos os gestores serão (já deveriam ser?) gestores estratégicos

Por Alberto Vieira da Silva

Em tempos antigos – e muitas empresas ainda vivem no passado do ponto de vista da mentalidade de gestão – julgava-se que as necessidades de gestão estratégica eram resolvidas através de planejamento e de um departamento ou assessoria que, em regime de exclusividade, pensava estrategicamente e aconselhava o empresário, o presidente, etc. A estes atores vinha juntar-se o diretor de Marketing que, por vezes, já fazia tudo isso. A prática demonstrou, porém, que toda a organização deve saber observar, sentir e pensar estrategicamente, do motorista à faxineira, das secretárias aos decisores. Bem entendido, o caminho para essa situação ideal pode levar algum tempo, mas exigir de cada gestor essa competência já é meio caminho andado.

A gestão estratégica começa pela visão estratégica. Só se pode gerir e controlar o que se vê. O que não se vê, pode ser tanto uma ameaça como uma oportunidade, mas com um pequeno problema: uma oportunidade não aproveitada é um ganho potencial desperdiçado, e até poderá não ser grave; porém, uma ameaça não percebida em tempo útil pode ser danosa ou mesmo fatal para a empresa. Assim, a falta de visão prejudica o futuro da organização, porque além de ser necessária uma visão muito clara para enxergar e modelar o seu futuro, ela permite igualmente identificar os obstáculos que devem ser vencidos, assim como os melhores recursos que podem ser aproveitados para atingir os objetivos pretendidos.

Mas a visão estratégica é insuficiente sem o pensamento estratégico, porque é necessário existir uma inteligência multidirecional para analisar e processar as intenções estratégicas com a informação relevante, se esta existir, expurgando-a de elementos acessórios e focando tudo isso na integração de recursos e na obtenção de resultados. Esse relativamente novo tipo de inteligência ou pensamento de gestão é plenamente sistêmico, ou seja, além de dinâmico e não estacionar nunca em conclusões definitivas, ele sempre considera uma parte do sistema (um problema, um departamento, uma decisão, seja o que for) considerando todas as outras partes e o sistema inteiro. De acordo com a abordagem sistêmica, que começou a ser esboçada nos anos 50 por Von Bertalanffy e outros cientistas, “o sistema é mais do que as soma de suas partes”.

Em resumo, todos os gestores devem aprender a ter a visão e pensamento estratégico suficientes para interpretarem a realidade externa, transferir os dados relevantes para dentro e conduzir suas atividades internas em harmonia com os objetivos estratégicos da organização, de uma forma integrada com os demais gestores. Essa integração faz toda a diferença, porque se cada departamento ou diretoria não fala, não colabora, não tenta sentir o problema das demais no contexto da organização como um todo, o resultado é um desperdício geral de recursos e talentos, cada um focando seu umbigo, seu castelinho, seu conforto, sua esfera de poder. Obviamente um bom decisor de topo sabe identificar esses sintomas e, na medida do possível, saberá ajustar o andamento da gestão global no sentido certo.

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