Tom Peters: romper as regras do jogo

Por Alberto Vieira da Silva

O portal web do HSM México tinha hoje um banner com uma citação de Tom Peters, a propósito de um evento que acontecerá na capital mexicana em Novembro próximo. Traduzido para o nosso idioma, o texto, cujo original se encontra abaixo, é o seguinte: “Esta é uma era propícia para os que rompem as regras, para os que imaginam tudo o que até agora tem sido impossível”. Na realidade, as oportunidades hoje existentes para explorar novas ideias em diversos campos nunca foram tantas, mas existem restrições.

Surge aqui um dos principais elementos da estratégia, embora nem sempre a criatividade e a inovação tenham uma estratégia organizada e definida. Pelo contrário, qualquer posicionamento estratégico necessita de inovação e criatividade; caso contrário, não é possível mudança e, sem esta, não surgem diferenciais. Porém, talvez as principais restrições à inovação residam mais nas pessoas do que nas estruturas, já que as inteligências empreendedoras e criativas não conhecem limites, dentro ou fora do âmbito formal das organizações. Com efeito, um potencial criativo e inovador depara com três tipos de restrições, das quais primeira é obrigatória e as demais são para ser ultrapassadas: 1 – os limites éticos; 2 – as restrições econômicas; 3 – a resistência à mudança.

ExpoManagement Peters LB

Justamente, a inovação dentro das empresas e de qualquer tipo de instituição que possua missão, valores e visão de futuro definidos – incluindo governos e estruturas políticas, carenciados de novas práticas e valores – parece a única saída para um mundo que enfrenta uma quantidade importante de desafios e problemas – sobretudo sociais e ambientais -, no qual a luta pelo sucesso e por um lugar de destaque passa ainda pelo sucesso econômico e financeiro. No entanto, o modelo de “sucesso livre” que se desenhou e tomou forma desde o pós-guerra até o final do século XX não tem mais lugar na complexidade e gravidade das realidades contemporâneas: como acontece no domínio da Pesquisa Operacional (Investigação Operacional em português europeu), o ótimo livre só existe como referência teórica, porque existem restrições obrigatórias, assim como existem restrições fantasmas, resultado de uma exposição demasiado longa a rotinas paradigmáticas ou organizacionais.

Por exemplo, os inúmeros casos de inovação de sucesso, até hoje, no empreendedorismo social e ambiental, mostram que poderá haver uma compensação generosa em termos materiais sem que o objetivo do empreendedor seja exclusivamente seu sucesso material ou social. Do mesmo modo, o ambiente geral da época atual também compromete as práticas de monopólio: aquilo que era “o sistema”, afinal, é um sistema muito mais complexo e ninguém mais tem sucesso sem o concurso de uma vasta equipe de especialista,s e sem partilhar o sucesso com seus componentes. Nas novas realidades (que Drucker já identificava em 1989 no livro com o mesmo título) as pessoas importam, têm valor e, até, são essenciais para qualquer sucesso empresarial – é o triunfo dos trabalhadores do conhecimento, numa sociedade que cada vez mais se baseia em conhecimento e que, por isso mesmo, aumenta a necessidade de práticas mais ajustadas aos valores humanos e a uma ética global.

Klein, Chakavarthy, Senge, Hamel e muitos outros, dentro e fora do âmbito do Management, vêm alertando para as discrepâncias de muitas práticas correntes no mundo dos negócios face à sociedade e à insustentabilidade ambiental do modelo de desenvolvimento atual; e, consequentemente, à necessidade de um maior índice de inovação, não apenas tecnológica e financeira, mas nos modelos e práticas das empresas e de sua governança corporativa. Por outro lado, os teóricos dos modelos ideológicos de esquerda marxista vêem-se confrontados com a impossibilidade de reduzir a complexidade das sociedades humanas de hoje a um mero conflito de trincheiras onde, de um lado se encontram os proletários e, do outro, os capitalistas; justamente, porque a sociedade que, na época, foi objeto das inteligentes críticas de Karl Marx, não existe mais. Logo, todos os setores sociais e econômicos se confrontam com a necessidade de inventar práticas que, ao mesmo tempo, sejam humana, economica, social e ambientalmente sustentáveis; dentro das organizações ou fora delas.

Seja como for, e voltando novamente ao contexto específico das organizações atuais – especialmente as que dependem do mercado -, essa citação de Tom Peters confirma e valida a necessidade de “pensar o impensado e o impensável”, de romper, sempre que necessário com modelos existentes de pensamento, de gestão e organização do trabalho, para que a inovação – como competência fundamental da gestão estratégica – seja um acontecimento permanente dentro delas, reforçando sua competitividade e sua viabilidade enquanto instituições.

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