Stephen Kanitz e o administrador: ação e decisão

Será que o poder não gosta de gestores eficazes? Caso para pensar…

No início do século vinte, Max Weber especulava sobre o encontro entre razão científica e razão política. Numa empresa, a busca da rentabilidade exige uma precisão científica, mas o poder exige, por vezes, uma razão política. Nas organizações sem fins lucrativos, essa disputa também existe e, frequentemente, ainda mais exacerbada, na medida em que os decisores nem sempre têm uma formação ou, sequer, experiência de Gestão; e, por sua vez, os que possuem essa formação nem sempre têm o poder, ou são ouvidos pelos decisores.

E quando o assunto é governar um país? Stephen Kanitz postou um artigo em seu blog, há poucos dias atrás, onde se fala, essencialmente, de ruptura de paradigmas, embora por outras palavras: O estilo do administrador – administrar é ser ágil na ção e na decisão.

No artigo em epígrafe, a tese do conhecido autor, articulista e palestrante, com a qual concordo em muitos aspectos, é a de que o mundo mudou nos últimos 50 anos e, durante esse período, tanto a direita como a esquerda política – o poder politicamente constituído – não evoluiram em suas práticas e mentalidades. Pior ainda: ignoraram ou discriminaram os administradores ou gestores profissionais, a única classe profissional que sabe fazer algo muito bem: agilizar as ações resultantes das tomadas de decisão. Eu diria ainda, em corolário: decidir estrategicamente e operacionalizar as decisões, otimizando a relação custos-benefícios e obter resultados. 

Em outros artigos anteriores, como a Era do administrador (2005) e Um país mal administrado (2002), ambos publicados na revista VEJA, Kanitz defende que são necessários administradores profissionais para governar bem um país,  e demonstra que, no Brasil, raríssimos gestores (ou administradores de verdade) ocupam ou ocuparam cargos importantes na administração pública ou do estado.

Qualquer dos artigos referenciados acima mostra a Gestão em seu papel prático, gerador de eficiência e eficácia, e também de riqueza. Gestão que, no âmbito político e em muitas organizações sem fins lucrativos, perde absolutamente para o poder. Poder, que com frequencia nem se apercebe do nível de resultados a que poderia chegar aplicando a proficiência, os métodos e as técnicas dos gestores profissionais.

Seria agora lícito perguntar: – Não poderiam os países, estados, municípios e todo o tipo de organizações pertencentes à administração pública ser gerenciados como empresas, para produzir resultados reais e melhores, racionalizando custos, organizando pessoas e recursos de uma forma humanizadora, ética, profissional e responsável? – Claro que poderiam: mas essa seria a razão científica, não a razão política

Afinal, talvez o texto de Kanitz leve a pensar que o poder não gosta de gestores eficazes. Suspeito que Peter Drucker não se envergonharia desse artigo.

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