Consolidando conceitos e práticas: liderança e gestão estratégica

Por Alberto Vieira da Silva

Liderança, ao contrário do que popularmente é propagado (“As lideranças do partido PXY”, “As lideranças da região”, etc.) não é um cargo ou uma função, nem uma atribuição coletiva, mas uma capacidade humana, individual, inata ou desenvolvida, para perseguir objetivos, conduzir pessoas e tomar decisões: ou seja, gerir, gerenciar ou administrar grupos humanos, formalizados ou não em organizações, fazendo com que aqueles ou estas trabalhem de um modo integrado e produzam resultados.

Infelizmente, um grande número de jornalistas ou articulistas não entendeu o conceito, nem foi atrás, porque, sobretudo em período de eleição, é exaustivo ler ou ouvir falar o tempo todo de “lideranças” que nem sempre são líderes de verdade, mas apenas cargos ou funções. Ou pretensões de liderança, justificadas ou não – mas essa seria outra discussão.

No contexto das organizações – empresas e outras instituições presumivelmente dotadas de administração ou gestão – a liderança é, sem dúvida, uma das competências essenciais – senão a mais importante. Por esse motivo, a boa ou má gestão não é função apenas de competências técnicas e administrativas, ou de recursos mais ou menos abundantes e adequados, mas dessa habilidade para conduzir e motivar pessoas, de acordo com os talentos de cada um, para objetivos comuns.

Ora, essa é uma das premissas basilares da gestão estratégica: haver liderança. Alguém que reúne consensos ou que influi nas opiniões, ou que detém poder institucional, tem que saber o que a organização quer ser ou tornar-se, para onde ela está indo, o que está sendo feito para chegar lá, etc. etc. Esse é o líder: o que conduz e que motiva os demais. Tudo o mais vem daí, embora nem todos entendam da mesma forma: por exemplo, há algum tempo atrás, li num artigo de um jovem que se intitulava “Administrador”, que “a gestão estratégica deriva do planejamento estratégico”. Se for assim, não admira que a maior parte das empresas quebrem antes de atingir a maturidade…

Assim, eu tenho como certo que não existe algo como, por exemplo, “Gestão estratégica da liderança”, ou “Gestão estratégica de Pessoas”, ou de algo em particular, porque a gestão estratégica não é particular, não é segmentada: ela é total, é macro, abarca a organização como um todo, garantindo também que esta age com um todo para ter foco e sair vencedora. É verdade, porém, que a gestão estratégica pode acercar-se de um aspecto particular da vida da organização, como RG, liderança, finanças, produto, mercado, e agir nele, mas ela entra e sai logo, para não perder essa visão total que a caracteriza.

Portanto, o que existe é apenas gestão estratégica, como uma função sistêmica, global e transversal a toda a organização. E o que é necessário em primeiro lugar para existir gestão estratégica, e gestão global da organização em primeiro lugar? Liderança. A liderança é algo como a alma ou o motor motivador de uma organização, capaz de conduzi-la ao sucesso ou de deixá-la se afundar no fracasso; ou no contentamento da rotina, o que também vai dar no fracasso. Peter Drucker escreveu em Managing for the future, que os clientes nunca são estáticos; os competidores, os mercados e a economia em geral também não. Justamente, a liderança é o que mantém a organização viva, atuante, alerta, atenta e renovando-se permanentemente, justament,e porque o tempo passa e o mundo “lá fora” muda em cada dia que passa.

Em suma, a capacidade de liderança é que vai determinar a qualidade da gestão e, se é de gestão estratégica que estamos falando, mais ainda, visto que se trata de uma função inerente à alta administração. A liderança pode e deve existir em diversos níveis da organização, mas é forçoso que ela exista nos decisores de topo e, sobretudo, no presidente ou cargo equivalente. Liderança é, portanto, uma competência essencial da gestão. Aliás, se tomarmos todos os exemplos da História, os grandes estrategas foram grandes líderes em primeiro lugar. A liderança, a capacidade de conduzir pessoas e de tomar decisões é que faz a estratégia, e os direcionamentos estratégicos, por sua vez, determinam os restantes aspectos da gestão.

Não se faz gestão da liderança: é esta que faz, ou não, a boa gestão de topo, a gestão estratégica. Se não houver liderança, as condições básicas para existir estratégia, planejamento estratégico, projetos e gestão de projetos, etc., não estarão satisfeitas; e a organização ficará à deriva até o quadro se reverter, ou ela se perder definitivamente na poeira do tempo.

Adaptado de Gestão estratégica da liderança?!, publicado neste blog em 24-09-2010.

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