Motivação ou empreendedorismo interno? – pouco importa, desde que exista

Por Alberto Vieira da Silva

Porque o lugar de trabalho tem que ser um lugar de sofrimento? Não deveria ser o trabalho um meio para realização pessoal e social, trazendo, dentro do possível, uma sensação de preenchimento existencial e felicidade para todos? Saindo do ideal para a realidade, nem sempre o primeiro está tão longe da segunda: o artigo publicado no HSM Online, disponibilizado abaixo, interessa sem dúvida a todos os que são empregados, e também aos empresários. E aos empreendedores, que serão, possivelmente, futuros empresários.

Afinal, empresários e empregados formam um sistema integrado, que é a empresa, ou outra organização. Integrado ou desintegrado? Depende. Pois é, os problemas e as soluções estão sempre nas pessoas e na forma de estas interagirem para conquistar objectivos comuns. Colaboradores que trabalham como se fossem sócios podem trazer mais resultados é um artigo recente do HSM Online onde se encontra uma prática com importantíssimo valor estratégico dentro de qualquer organização. O artigo define essa prática como intra-empreendedorismo, e nada contra da minha parte; mas eu prefiro chamar-lhe de gestão da motivação.

Na realidade, o único e verdadeiro ativo ou portfólio de ativos que uma organização possui são pessoas: as pessoas de dentro, que são os empregados, e as pessoas de fora, que são os clientes. Os empregados, se estiverem motivados – e principalmente se forem pessoas motivadas e empreendedoras – possuem mais valor do que todos os ativos corpóreos ou tangíveis da empresa, justamente porque são eles que a fazem viver e progredir, desenvolvendo dois fatores estratégicos fundamentais: a inovação e o mercado (ver mais detalhes em Oportunidades e ameaças: o jogo real).

Além da motivação, não se pode discurar as operações, ou seja, a capacidade dos empregados de assegurarem processos bem desempenhados dentro da cadeia de valor: o mesmo valor que vai ser percebido pelos clientes, na hora da compra. Com efeito, sem uma estrutura operacional eficaz, racional, enxuta, sem pessoas inteligentes e dedicadas que evitem erros e ajudem rapidamente a consertá-los, não existem estratégias que resistam, por melhores que elas sejam. Mais uma razão para afirmar que a gestão de pessoas é uma subsidiária fundamental da gestão estratégica, começando logo pelo perfil adequado e os critérios de admissão e terminando na formação ou capacitação permanente dos empregados, sejam eles decisores, gestores médios ou operacionais propriamente ditos.

O segundo conjunto de ativos humanos da organização são os clientes, ou seja, o mercado; ou antes, a parte do mercado que já é cliente, e a que pode vir a sê-lo. Muitas empresas descartam segmentos potenciais de clientes, por vezes até alegando que o produto não se aplica, ou que seria muito caro criar um novo produto para satisfazer este ou aquele segmento; o que nem sempre é verdade: por vezes até, com ligeiras modificações nos produtos já existentes e na estratégia de comunicação e publicidade – o que em muitos casos pode ser feito sem aumentar grandemente os custos – podem conquistar-se segmentos de mercado que à priori haviam sido desconsiderados.

Mas o principal interesse no portfólio de clientes é não apenas o sentimento de fidelização à marca e aos produtos e serviços: é a percepção de valor que os clientes têm dos produtos ou serviços ofertados pela instituição. Essa percepção de valor, constituída por uma diversidade de fatores, é que gera, ou não, um sentimento de satisfação permanente, gera o desejo de continuar com o produto e a marca e, portanto, a tão almejada fidelização. Ao que se adiciona – como falei atrás – uma estrutura operacional capaz de assegurar um nível de “zero erro”, visto que um bom portfólio de produto ou serviços pode ser percebido com uma má nota, se os serviços pós-venda, e a assistência técnica ou ao serviço não forem excelentes.

Portanto, uma equipe de primeira linha, porque motivada e treinada para ser excelente, traz uma grande diferença na hora de o mercado pronunciar-se. Essa motivação pode ser melhorada através de um sistema de premiações, por um lado, na seleção dos empregados ou colaboradores, por outro, e ainda pela formação contínua, pela informação, a gestão do conhecimento e outros processos. Eu prefiro sempre chamá-los de “colaboradores” em vez de “funcionários” ou “empregados”.

Afinal, sendo todos “empregados”, existe uma grande diferença entre “funcionário”e “colaborador”: o primeiro cumpre ordens e horários, numa eterna missa de corpo presente; o segundo está vivo e colabora ativamente para o desenvolvimento da organização, e de si mesmo. Num negócio win-win, todos ganham porque todos se integram harmiosamente para atingir os mesmos objetivos. E todos podem ser mais felizes do que são hoje.

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