Perfil executivo: gula vs. compartilhamento

Por Alberto Vieira da Silva

“(…) não se constrói uma empresa de sucesso sozinho. Ter amigos e profissionais competentes que saibam trabalhar em equipe e dividam com responsabilidade os afazeres é muito importante, além de, claro, dividir os méritos e conquistas com equidade.”

Essa máxima de Bernt Entschev na última postagem em seu blog da Revista Amanhã, aplica-se em todo os tipos e portes de organizações, na vida das empresas e na carreira individual. Vale a pena ler o artigo de Entschev na sua totalidade: o próprio título já fala alto sobre um certo perfil de profissional que, se não tiver um cargo em que possa trabalhar isoladamente, poderá arrasar com qualquer departamento ou diretoria e, até, com a imagem de toda a organização. O que poderá custar muito caro.

Com efeito, o “papa-tudo do trabalho”, segundo a terminologia de Entschev, não é apenas um redutor da eficácia porque quer fazer tudo, não comunica, não compartilha: seu dano vai mais longe, porque cria um ambiente doentio dentro de sua hierarquia ou no interior de sua equipe ou grupo de trabalho. E se ele for gestor ou decisor, tanto pior, especialmente para quem colocou essa pessoa no lugar em que se encontra. Certas pessoas com esse perfil são colocadas em organizações, alegadamente “por razões políticas”; o nome diz tudo… mas o que é certo é que a razão política nunca gerou resultados econômicos: tudo em política é custo, apenas a gestão inteligente gera riqueza.

Depoimentos como o de Bernt Entschev nos fazem lembrar continuamente que o fator humano é crucial, não só para assegurar um nível de “zero erro” nos processos ou nas operações, mas sobretudo para operacionalizar as decisões estratégicas. Na atitude competitiva da organização perante o mercado e perante sua própria realidade, as decisões estratégicas implicam que a vertente operacional seja capaz de transformar as decisões em ações, e as ações em resultados. Essa eficácia não demanda necessariamente uma parafernália tecnológica, e que a organização desequilibre suas finanças com investimentos em tecnologias de última geração; mas demanda que os decisores coloquem a pessoa certa no lugar certo; demanda profissionais que comuniquem e que entendam perfeitamente os objetivos e resultados esperados pelas decisões estratégicas, e que consigam articular-se com os demais para atingi-los.

Por outras palavras, pode dizer-se que uma das competências fundamentais das organizações, cada vez mais necessária devido à complexidade dos fatores, é a habilidade de trabalhar em equipe, tanto no sentido horizontal – entre hierarquias – como no sentido vertical – em ambas as mãos, de cima para baixo (top-down) e de baixo para cima (bottom-up). Essa capacidade total de articular-se, de comunicar e compartilhar informação relevante e conhecimento é bem o perfil do profissional executivo contemporâneo e, em muitos casos, dos restantes colaboradores. E é a antítese do “papa-tudo”. Muitas empresas sabem pensar estrategicamente, têm ideias oportunas e inovadoras e sabem para onde querem ir, mas esquecem o lado da execução da estratégia; e esta depende sempre de pessoas e da forma como elas interagem, se articulam e se comunicam para terminar com sucesso um dado projeto ou ação estratégica.

Se pessoas como o “papa-tudo do trabalho” preponderarem numa organização, e se a vertente operacional não estiver bem afinada através de processos otimizados e de uma cadeia de comando clara e precisa, o esforço e o talento dos líderes e dos demais funcionários ou colaboradores perde-se quase por completo. E a motivação deles, também. E aquilo que pode ser uma boa visão estratégica, mesmo com suporte de uma excelente inteligência competitiva e um talentoso desempenho em Marketing não conseguirá gerar resultados no nível almejado.

Links neste artigo:

O papa-tudo do trabalho – Revista Amanhã – Blog Vida Executiva – 04-04-2011.

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